Especialista da UNG alerta que baixa cobertura vacinal e a desinformação favorecem retorno de doenças já controladas
Recentes casos de sarampo de um adulto e bebês de 6 meses e 1 ano, na capital paulista e em Guarulhos, reabrem o debate sobre a importância da vacinação desde a infância. A imunização ainda é uma das principais estratégias de saúde pública responsáveis pelo controle e erradicação de doenças. No entanto, a desinformação ou o descumprimento do calendário vacinal favorecem o retorno de enfermidades já controladas, informa a doutora e professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem da Universidade Guarulhos (UNG), Jussara Carvalho dos Santos.
“Quando uma parte elevada da população está imunizada contra uma doença, a transmissão do agente infeccioso é interrompida, protegendo inclusive as pessoas não vacinadas. Esse processo é conhecido como imunidade de rebanho”, explica.
Na década de 80, doenças como a poliomielite e o sarampo chegaram a ser eliminadas em diferentes regiões do mundo graças à ampla cobertura vacinal. No entanto, elas ainda exigem altos índices de imunização para evitar a circulação desse vírus. “Eliminamos essas doenças, mas temos que manter a população brasileira vacinada em uma taxa acima de 90% para ter nosso território livre dessas enfermidades”, explica a professora da UNG.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente 50 imunobiológicos, distribuídos entre vacinas, soros e imunoglobulinas, garantindo proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, rubéola, tétano, hepatite B e coqueluche. Outro exemplo recente ocorreu durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Após o início da aplicação das doses, em janeiro de 2021, o número de casos de SARS-CoV-2 e de mortes reduziu significativamente. Com um ano de campanha, 84% da população brasileira já estava imunizada, contribuindo para prevenir 74% dos casos graves e 82% das mortes, segundo dados do Observatório da Covid-19 Brasil.
Vacinar é proteger a todos
Apesar da ampla oferta, parte da população ainda deixa de seguir o calendário recomendado ou de completar o esquema de proteção. Segundo Jussara, essa decisão compromete tanto a proteção individual quanto a coletiva. “Isso reduz a eficácia da proteção individual, pois muitas vacinas necessitam de múltiplas doses para garantir uma resposta imune robusta e duradoura”, afirma.
Embora muitas pessoas associem a vacinação apenas à infância, a proteção deve acompanhar o cidadão durante todas as fases da vida. Da infância à terceira idade, é essencial seguir com rigor o calendário recomendado nacionalmente e manter as doses em dia.
Desafios e responsabilidade coletiva
Outro grande desafio enfrentado pelas campanhas de imunização é o avanço da desinformação, causando medo, e, principalmente, a crença equivocada de que apenas uma dose é suficiente. “A hesitação em aderir às vacinas é resultado de fatores históricos, psicológicos e sociais, exigindo estratégias integradas de comunicação, educação e ampliação do acesso para combatê-la e superá-la”, ressalta Jussara.
A queda das coberturas vacinais pode favorecer o retorno de doenças antes controladas. Segundo a professora do curso de Enfermagem da UNG, é fundamental compreender que a imunização é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. “Os esquemas vacinais completos são indispensáveis para erradicar, controlar e prevenir o retorno de doenças infecciosas”, conclui.
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